"Rezar muito. E ter fé. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus." (Guimarães Rosa)




terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Minto. Logo, existo.

 
Pareço estar sempre bem, e, no fundo, sempre estou. Quando me perguntam se está tudo bem, posso até olhar pro lado, dar um suspiro e disfarçar com um sorriso amarelo, mas, descarada que sou, sempre digo que sim. Dizem por aí que uma mesma mentira dita mil vezes vira verdade. E não é que vira mesmo? É a minha verdade. Tão minha que eu mesma inventei. Às vezes até bate um arrependimento quando me lembro de minha mãe me ensinando a dizer sempre a verdade, acima de tudo. Mas repito pra mim mesma um trechinho de Mário Quintana que se tornou, para mim, uma oração: 

Não há coisa na vida inteiramente má. 
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que a mentira dá?

Se é fruto da verdade ou da mentira, não me importa. O fato é que dizer que tá tudo bem mesmo quando o mundo parece desabar sobre a minha cabeça tornou-se uma forma de não aceitar que qualquer coisinha seja capaz de me abalar as estruturas e me cegar ao ponto de não conseguir enxergar colorido em meio à escuridão. Deixo minha mentira transformar-se numa verdade florida. Assim sigo. Assim tudo se resolve.
E, a propósito, antes que me perguntem, tô bem, tô em paz. Tô feliz.

marianne a.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

ps.:


E quando a tal da Dona Felicidade chegar quebrando as portas e invadindo sua vida com aquela delicia de inconveniência que só ela sabe ter, respira fundo, engole o choro, e deixa brotar o riso. Deixa ela te cegar, te ensurdecer. Já dizia Gonzaguinha: “Somos nós que fazemos a vida. Como der, ou puder, ou quiser”. Então, fecha os olhos, empina esse nariz e vê se enfia isto na sua cachola: se tem uma coisa de que a gente não pode ter vergonha nessa vida, é de ser feliz!
marianne a.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sobre-viver


Leve-me a algum lugar onde eu me sinta bem. Onde eu me perca de mim mesma e de meus medos e inseguranças pra você tão sem sentido. Ei, vem aqui, me pegue, me leve... me leve ... e me eleve!
Faça-me sentir algo diferente. Deixe-me ser quem eu quero ser. Mas vem logo, tenho pressa. Quero correr a favor do tempo e me deixar levar pela correnteza. Quero subir bem alto e mais alto e mais alto, pra poder chegar lá em cima e gritar pra todo o mundo ouvir que venci meus obstáculos... que venci minhas fraquezas. Que ganhei a luta contra a única pessoa capaz de adiar meus planos e limitar meu crescimento: EU.
marianne a.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

*

Cansada de ficar sentada só olhando a vida passar, ela pega carona e sai por aí. O medo, joga fora. A razão, guarda no fundo falso da mochila, que é pro caso de precisar. E o coração, ah, esse vai na frente... que é pra servir de escudo.

Não espera atitude de quem não tem. Não espera nada, nada de ninguém. Só fecha os olhos, aperta o escapulário contra o peito, faz uma oração e deixa-se levar.

Deixa-se florir.

Deixa-se viver.

Felicidade é ainda mais gostosa quando dá um susto na gente... Quando chega de um jeito destrambelhado, adocicado. Assim, bem assim, por descuido.. sem querer!

marianne a.

sábado, 24 de setembro de 2011

Let it be..


É falar com você e perder o chão, ficar desnorteada, perder o rumo de casa. A boca seca, o coração aperta. E eu me derreto, me desfaço. Começo a fazer palhaçada só pra ouvir sua gargalhada e imaginar seu olho ficando pequeno quando ri. E quando vejo, já to aí. Deitada no escuro da sala, falando da vida dos outros e ouvindo Beatles. Let it be...

marianne a.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

o Sol mandou dizer..

Basta entrar na primeira semana de setembro pra começar a nascer no jardim uma flor com cheirinho de sentimento bom. Porque o mês já começa com um restinho daqueles ventos de agosto que fazem o sol quente dançar na nossa pele como quem avisa que chegou pra ficar, pra iluminar. E pra dizer que pra ter vida tem que ter luz. Tem que ter calor. E que basta querer e (re)querer e (mil)querer.
Nem adianta dizer que é Deus o dono desse jardim. Que é Deus o senhor do seu destino. A responsabilidade, meu amigo, é toda sua. Então não me venha com essa idéia conformista de que tudo acontece como Deus quer. Ele já fez demais. Fez o Sol, pendurou no céu e te deu. Agora, quem decide se vai ou não deixar-se iluminar, é você.
marianne a.

sábado, 20 de agosto de 2011

Pare. Ouça. SINTA.

É muita confusão, é muita ideia, muito anseio e pouca paciência, eu sei. São muitas vozes na sua cabeça te dizendo o que fazer. Mas quando for assim, feche esses olhos lindos de sei lá o quê e concentre-se. Se fizer uma forcinha, vai perceber que no meio de tantas vozes existe uma que apesar de tudo e sem saber o porquê te pega, te afaga e te diz, em baixo e bom tom, e bem devagarzinho que é pra você entender: "vem, meu bem, aquieta seu coração no meu e deixa eu cuidar de você."

marianne a.

domingo, 14 de agosto de 2011

Nota


Estresse, bulimia, anorexia, depressão, blá blá blá. Dentre tantas e quantas doenças que estão na moda, acaba de aparecer mais uma para enfeitar a vida da cambada de metidos a besta de nossa cidade: o complexo de superioridade. Uma doença silenciosa que faz com que suas vitimas ajam como idiotas, esbanjando o que não têm, perdendo sua personalidade e vivendo totalmente alienadas.
E não pensem que é fácil conviver com essa doença. Manter-se informado quanto às festas que acontecem na cidade demanda um esforço incrível. É preciso estar sempre atento a tudo que acontece com a elite da cidade. “Fulano mora em tal bairro, é filho de não sei quem e só compra roupas de tal marca” é um dos chavões mais comuns entre os afetados. Eles sofrem. Isso porque têm uma necessidade enorme de se aceitarem e de serem aceitos. São uns fúteis, uns coitados. E a gente até entende. Mas, convenhamos, não bastasse ter que conviver com tanta miséria e sofrimento, pedir para que nós, seres do mundo real, convivamos com tanta pobreza de espírito..  aí já é pedir demais.
marianne a.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Delícia de encanto escandaloso


Prometera dedicar-se aos estudos e a levar uma vida séria, de gente grande. Mas de tanto preocupar-se com a razão deixou o coração desprotegido e pimba! Quando percebeu, ficava tonta só de pensar naqueles grandes olhos negros de onde brota toda a beleza que existe. Viu-se colecionando sorrisos, cantando pelos cantos e rezando pro Seu Tempo nem pensar em passar quando estivesse com ele. E, mais uma vez, não sei se por descuido ou mera distração, sentiu-se deliciosamente presa, encantadoramente boba e escandalosamente feliz.
marianne a.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O corpo humano, a viagem e a rima.

É impressionante como o nosso corpo é perfeito. Somos capazes de trazer à superfície de nossa memória lembranças que andavam perdidas e/ou esquecidas, cheiros que nos lembram de algo ou alguém e apenas nos concentrando, tendo força de vontade, somos capazes até de matar a saudade de alguém que já se foi.
Concentro-me, fecho os olhos (já cheios de lágrimas) e vejo um quarto com duas camas, um guarda-roupa e uma casinha da Barbie montada. À frente da casinha, estão duas crianças. Forço as vistas e percebo que uma delas sou eu. Forço um pouco mais e percebo que a outra (de pele branquinha com a textura do mais fino veludo, olhos parecidos com duas jabuticabas grandes, ou seja, LINDA) é Fernanda. Aquela que fez com que eu tivesse a mais doce e alegre infância que alguém pode ter. Me abaixo, dou-lhe um beijo cheio de amor e saudade - que não tive a oportunidade de dar-lhe em vida - e brincamos de fazer roupinhas para as bonecas. Mudamos de brincadeira, agora é escolinha, pegamos nossos materiais de professora e damos aula e lições aos nossos alunos.
Percebo que minha concentração está acabando e que chega a hora de partir. Me baixo, dou-lhe mais um beijo, olho bem no fundo daqueles lindos olhos e abro os meus. Agora, o que eu vejo é um quarto com uma cama, um guarda-roupa e nenhuma casinha da Barbie montada. Percebo que tudo não passou de uma viagem no tempo. No tempo em que eu era feliz e não sabia. Não tinha preocupações nem responsabilidades, apenas uma obrigação: brincar. E para cumprir tal missão, eu tinha a melhor companheira. Companheira que desceu das nuvens, deu alegria a sua família e a outras crianças e voltou às nuvens. Não morreu. Apenas voltou ao seu lugar de origem. Era uma “menina de lá”. Um anjo.Anjo que me faz falta. Que não posso ver, mas posso sentir. Anjo que me fez feliz.
Quer uma palavra que rime com anjo? Eu tenho uma: Fefê. Ela rima com anjo, com amor. Rima com saudade.
É, realmente o corpo humano é perfeito. E só assim, Fefê, explorando-o, é que posso matar a saudade. Posso ter você de volta. Te amo!
marianne a.