"Rezar muito. E ter fé. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus." (Guimarães Rosa)




quarta-feira, 6 de julho de 2011

O corpo humano, a viagem e a rima.

É impressionante como o nosso corpo é perfeito. Somos capazes de trazer à superfície de nossa memória lembranças que andavam perdidas e/ou esquecidas, cheiros que nos lembram de algo ou alguém e apenas nos concentrando, tendo força de vontade, somos capazes até de matar a saudade de alguém que já se foi.
Concentro-me, fecho os olhos (já cheios de lágrimas) e vejo um quarto com duas camas, um guarda-roupa e uma casinha da Barbie montada. À frente da casinha, estão duas crianças. Forço as vistas e percebo que uma delas sou eu. Forço um pouco mais e percebo que a outra (de pele branquinha com a textura do mais fino veludo, olhos parecidos com duas jabuticabas grandes, ou seja, LINDA) é Fernanda. Aquela que fez com que eu tivesse a mais doce e alegre infância que alguém pode ter. Me abaixo, dou-lhe um beijo cheio de amor e saudade - que não tive a oportunidade de dar-lhe em vida - e brincamos de fazer roupinhas para as bonecas. Mudamos de brincadeira, agora é escolinha, pegamos nossos materiais de professora e damos aula e lições aos nossos alunos.
Percebo que minha concentração está acabando e que chega a hora de partir. Me baixo, dou-lhe mais um beijo, olho bem no fundo daqueles lindos olhos e abro os meus. Agora, o que eu vejo é um quarto com uma cama, um guarda-roupa e nenhuma casinha da Barbie montada. Percebo que tudo não passou de uma viagem no tempo. No tempo em que eu era feliz e não sabia. Não tinha preocupações nem responsabilidades, apenas uma obrigação: brincar. E para cumprir tal missão, eu tinha a melhor companheira. Companheira que desceu das nuvens, deu alegria a sua família e a outras crianças e voltou às nuvens. Não morreu. Apenas voltou ao seu lugar de origem. Era uma “menina de lá”. Um anjo.Anjo que me faz falta. Que não posso ver, mas posso sentir. Anjo que me fez feliz.
Quer uma palavra que rime com anjo? Eu tenho uma: Fefê. Ela rima com anjo, com amor. Rima com saudade.
É, realmente o corpo humano é perfeito. E só assim, Fefê, explorando-o, é que posso matar a saudade. Posso ter você de volta. Te amo!
marianne a.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

roda, menina... Roda moinho, roda pião




- Vai, menina, escolhe o que mais te faz sorrir e coloca na mochila. Prepara tudo pra sua viagem. Põe a foto da família e o cobertor do namorado. Junta tudo com as conversas bobas da amiga e as gargalhadas do afilhado.
- Mas e se eu me perder, seu moço?
- Pra começar, joga fora todo esse medo que a mochila fica mais leve. E veste sua saia rodada florida, que é pras pétalas do bem-me-quer marcarem o caminho pra quando você for voltar. Coloca aquela fita vermelha no dedo, que é pra lembrar-se de não esquecer que independente de qualquer coisa, é esse sorriso largo e colorido que te coloca à frente de qualquer problema. Com música ou não, faz-se de bailarina e dança, e gira a roda da vida. E roda o mundo, roda moinho, roda pião. Porque o tempo, menina, o tempo roda num instante, e não para. Não, não.
marianne a.

sábado, 2 de julho de 2011

veja bem, meu bem..


Não, não me venha com frases feitas e com boas intenções. Presentes caros não me atraem e o simples, só o simples já me satisfaz.
E se, por acaso, hora dessas quiser me fazer feliz, vem de surpresa, vem quietinho. Não precisa nem falar nada, só me olha nos olhos, põe uma flor no meu cabelo e me faz ver graça onde não tem. E se eu olhar pro lado, me dê um beijo roubado, um abraço apertado e um sorriso sem fim. Me deixa sem sono, me deixa boba, me deixa tonta. Porque só assim serei feliz. Só assim.
marianne a.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Quando o nada diz tudo


E que fique claro que meu silêncio nem sempre é sinal de consentimento. Ao contrário de muita gente que existe, eu não só existo como penso e sei bem quando me calar é a melhor alternativa para enfrentar certas situações. Não por me acovardar, mas simplesmente por não ter o que dizer.

Dia desses, li em algum lugar que “o silêncio é a oração dos sábios”. Então, não pensem que quando me calo, estou fazendo julgamentos e tecendo maldades. Qualquer um sabe que  pior do que o julgamento que outra pessoa faça em relação às suas atitudes, é o julgamento que você faz de si mesmo.

E, quanto a mim, não tô aqui pra fazer papel de boa moça, nem servir de exemplo pra ninguém. Não sou boa, nem ruim, nem nada. Sou apenas uma moça cuja maquinaria é regada a sentimentos e emoções. Acredito nas pessoas até o último momento e procuro não fazer com os outros o que não gostaria que fizessem comigo. É que esse meu sistema límbico super-desenvolvido faz com que eu chore quando sinto tristeza, grite quando sinto raiva e me cale quando sinto desprezo.

marianne a.

sábado, 4 de junho de 2011

"Existem razões para acreditar. Os bons são maioria."


Diante de tanta corrupção, de tanta violência e descaso com a vida, às vezes as esperanças se esvaem e o coração pede, implora, suplica por um pouco de paz. Por dias ensolarados em que nossas crianças poderão brincar nas ruas e só voltar chorando porque terão que passar mertiolate no joelho machucado depois de cair brincando de pega-pega. Dias em que o dinheiro público será usado para seu único e, por isso, mais importante objetivo: a melhoria das condições de vida do povo.  Nesses dias, a vida terá mais valor que qualquer bem material e só se morrerá de amores ou de tanto rir. Serão dias em cor de arco-íris, singulares, daqueles em que se dorme com um sorriso no rosto.
Pode parecer utopia, mas existem razões para acreditar, porque nós, os bons, somos maioria.
marianne a.

domingo, 22 de maio de 2011

porque se for pra ser, tem que ser do meu jeito


É que agora eu sou uma moça exigente. Outrora, prometi só conjugar os MEUS verbos e só acreditar nas MINHAS verdades. Jurei não me contentar mais com “quases”, com “sins” sem olhar nos olhos, com advérbios de dúvida e substantivos abstratos. Só quero a companhia de pessoas que me despertam emoções em tons de azul e em escalas de si bemol com baixa em lá. Só aceito o que for completo ou vier pra completar. Do tudo um pouco, tiro o pouco e fico com o tudo. Caso contrário, fecho os olhos e tampo os ouvidos.  Tranco as portas, dou de ombros e nem olho pra trás.  
marianne a.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pra ser feliz eu digo sim


É que nos momentos de confusão a gente se desespera, eu sei. Dá vontade de largar tudo, sentar e ficar olhando a vida passar na sua frente rindo da sua cara e te fazendo careta. Mas a escolha de um caminho, mesmo sem saber aonde ele vai dar, já é grande coisa. Abre portas e janelas, deixa tudo iluminado. Faz a gente crescer e perceber que é grande o suficiente pra tocar o Sol, pra colocar o chapéu onde a mão alcança, pra sentir a mãozinha de Deus em tudo que acontece e pra SE FAZER FELIZ.
marianne a.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Corte e costura, remendos e cores


Olha os retalhos, as linhas e as agulhas, escolhe tudo cuidadosamente e mãos à obra. Metida a costureira, a menina pega os pedaços de pano, corta as partes que não podem ser reaproveitadas e costura, remenda. Borda as pessoas importantes com as linhas mais grossas e coloridas e enfeita com os vários laços feitos até hoje. E não tem problema se o resultado for uma confusão de remendos e cores. É o tecido da vida, minha gente, e o importante é que o final seja bonito. E colorido.
marianne a.

sábado, 7 de maio de 2011

A sete chaves


A palavra que não foi dita. O pedido que não foi feito. A resposta que sequer foi solicitada e o sim que foi engolido. Formaram o mais bonito dos textos. O mais doce e sincero. Mas ele vai ficar aqui guardado. Na verdade, desperdiçado. Até que o dono venha buscar (e me levar junto).
marianne a.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entre mim e Deus


Viver = vento + grão-de-pólen. Onde eu me encaixo? Sou o grão-de-pólen. Sou pequena, frágil e estou sujeita à força do vento. Hoje, não tento mais dominá-lo e impedir que ele me leve. Apenas me abandono e fico tranquila. Confio no vento. Ele é forte, sereno e refresca minha alma. O vento é a vida e a vida é Deus. Estou, portanto, entregue em suas mãos.

marianne a.